A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, considerou hoje que os últimos dados sobre infeções hospitalares em Portugal apontam para uma melhoria, embora não sejam ainda os ideais.

 

 

A prevalência de infeções hospitalares, segundos os últimos dados validados em Portugal, aponta para 7,8%, disse Graça Freitas à agência Lusa. “Tudo indica que a prevalência de infeções em hospitais será na ordem dos 7,8%, o que não sendo o valor ideal é um valor bom”, declarou.

 

Segundo a diretora-geral da Saúde, “é já um bom valor por comparação, porque reflete uma tendência” dos hospitais e outros serviços de saúde portugueses. “Temos vindo sempre a melhorar nos últimos anos. Paulatinamente, temos diminuído o número de pessoas que em cada momento se infeta depois de ter dado entrado num serviço de saúde”, sublinhou.

 

A diretora-geral da Saúde prestava declarações à Lusa, em Coimbra, durante o Congresso “Infeção: prevenção e controlo”, após ter proferido a conferência de abertura, intitulada “Controlo da infeção: passado e futuro”.

 

 “Estamos a fazer um percurso que é tendencialmente convergente com os melhores valores da Europa”, acrescentou, expressando uma “palavra positiva” para o caminho trilhado nos últimos anos neste domínio.

 

Neste momento, segundo Graça Freitas, Portugal está “a fazer um caminho no sentido de reduzir as infeções associadas aos cuidados de saúde e a reduzir as resistências aos antimicrobianos”.

 

 “E também há dados que indicam que sim, que estamos a melhorar a utilização de antibióticos e que com pequenas exceções estamos a reduzir as resistências aos antimicrobianos”, acentuou.

 

Organizado pela Associação Portuguesa de Infeção Hospitalar (APIH), fundada há 30 anos e que tem por missão “contribuir para o estudo e intervenção no âmbito das infeções associadas aos cuidados de saúde”, o congresso decorre hoje no auditório António Arnaut da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

 

A resistência aos antimicrobianos “configura um problema de saúde pública à escala global que ameaça, mesmo, a segurança global”, disse, por sua vez, o presidente da APIH, Lúcio Meneses de Almeida, na abertura dos trabalhos.

 

 “E a causa das causas é, mais uma vez, humana. E está, mais uma vez, relacionada com atitudes e comportamentos (…) não restritos aos profissionais de saúde e, designadamente, aos prestadores diretos de cuidados, nem tão pouco ao setor da saúde”, adiantou.

 

A utilização de antibióticos em pecuária intensiva, frisou Lúcio Meneses de Almeida, “é o exemplo de uma prática que concorre para o aparecimento de resistências aos antimicrobianos e que transcende a rede de serviços de saúde”.

 

 “Estamos atentos ao problema e colaborantes com as entidades oficiais, na medida das nossas atribuições e no limite dos nossos recursos”, afirmou o presidente da APIH.

 

In “Saúde Online”