Utilização de proteções nos olhos durante a prática desportiva reduz em 90% o risco de lesão ocular. Numa altura em que aumenta a atividade física ao ar livre e se aproxima o Dia Mundial da Atividade Física (a 6 de Abril), a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia lembra que é importante adotar medidas de proteção da saúde dos olhos durante a prática desportiva, pois as lesões oculares que ocorrem durante alguns tipos de exercícios podem ser graves e comprometer a qualidade da visão.

Segundo um estudo relatado na obra “Visão e Desporto” de João A. Capão Filipe, as lesões oculares que ocorrem durante a prática desportiva podem e devem ser prevenidas. Tem sido demonstrado que o uso dos protetores oculares atualmente disponíveis reduz o risco de lesão ocular em, pelo menos, 90%. O principal obstáculo a um maior e mais difundido uso de protetores oculares é o desconhecimento e uma certa confusão por parte de todos os elementos ligados ao desporto – presidentes, atletas, diretores, treinadores, jogadores e corpo médicos – em saber quais os protetores que são mais eficazes.

Os olhos guiam o corpo e a sua importância é fundamental para qualquer tipo de atleta, seja profissional ou amador. No desporto, a visão desempenha um papel ainda mais importante. Uma visão reduzida não significa simplesmente não conseguir acertar numa bola ou marcar um golo, também aumenta o risco de ocorrência de lesões. Em Portugal, por exemplo, o futebol de onze e de cinco e o traumatismo pela bola são responsáveis pela maioria das lesões oculares. Estas ocorrem geralmente em jovens amadores não federados (50%) que foram atingidos pela bola enquanto jogavam futebol como passatempo de fim-de-semana. Além do futebol, o ténis e o golfe são modalidades que podem ser particularmente perigosas pela velocidade e força com que as bolas são projetadas.

A análise de lesões oculares permitiu concluir que um doente que recorra a um serviço de urgência de oftalmologia com uma lesão ocular provocada durante a prática de uma atividade desportiva, tem 75% de probabilidade de apresentar uma lesão grave e mesmo que não haja hemorragia e a visão se mantenha normal, a possibilidade de ter uma lesão grave é elevada, pelo que com ou sem sintomas de alarme, qualquer traumatismo ocular que ocorra durante a prática de um desporto deve ser observada de imediato por um oftalmologista.

Mas não são só as lesões que influenciam a qualidade da visão dos desportistas. Existem fatores físicos que podem intervir negativamente na performance visual durante a prática desportiva, como a fadiga, que pode diminuir a acuidade visual e o campo visual. A aceleração, as vibrações mecânicas e sonoras e a diminuição do aporte de oxigénio são também fatores a ter em conta. O Dr. Mário Ornelas, oftalmologista da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, refere que “com o chegar do bom tempo e durante toda a primavera e verão torna-se mais apelativa a prática de desporto e de atividade ao ar livre, pelo que a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia recomenda que todos os desportistas vigiem de forma regular a saúde dos seus olhos e que em caso de lesão ocular devem ser observados por especialista em Oftalmologia assim que possível”. Salienta ainda que “existe no mercado uma grande variedade de proteções oculares adequada a cada tipo de desporto, quer seja para atletas federados ou simplesmente amadores, mas devem estar certificadas para a modalidade a que se destinam”.

 Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

 

In “Jornal da Madeira