O Instituto de Administração da Saúde, IP-RAM (IASAÚDE) destaca a comparticipação de 69% nos medicamentos utilizados para o tratamento da endometriose.
Recorde-se que, há pouco mais de um ano, os medicamentos específicos para o tratamento da endometriose passaram a constar da lista de medicamentos que podem ser objeto de comparticipação, sendo incluídos no Grupo 8 (Hormonas e medicamentos usados no tratamento das doenças endócrinas), do escalão B.
À semelhança do que acontece relativamente aos medicamentos para a procriação medicamente assistida e para os antigos combatentes, a Região Autónoma da Madeira (RAM) acompanhou esta medida, reconhecendo que “o tratamento da endometriose é essencial para a salvaguarda da qualidade de vida das mulheres que são afetadas por esta doença”, tal como refere a presidente do IASAÚDE. Rubina Silva reforça que “facilitar o acesso aos medicamentos, através de comparticipação imediata no momento da compra nas farmácias, é um passo importante para que os tratamentos sejam realizados e, com isso, ajudar a aliviar as dores e a atenuar as complicações da doença”.
Segundo a médica Lília Remesso, especialista na área de Ginecologia / Obstetrícia do Serviço de Saúde da RAM (SESARAM), a endometriose é uma doença crónica, benigna e estrogênio-dependente, que é estimulada pela presença desta hormona e causada pelo crescimento do endométrio fora da cavidade uterina, o que provoca inflamação.
A dor, que é muitas vezes confundida com problemas menstruais ou referenciada como psicossomática é, normalmente, a principal queixa manifestada pelas doentes, estando a doença também associada à infertilidade. “Se nós formos procurar as mulheres em idade reprodutiva, as mulheres que têm dor ou que têm infertilidade, 30 a 50% destas mulheres terão uma endometriose por trás”, realça, explicando que o atraso de diagnóstico leva, em muitas situações, 5 a 10 anos.
Neste contexto, Lília Remesso sublinha que não é fácil determinar uma prevalência exata. Além da dificuldade em identificar o que causa a dor, algumas doentes são assintomáticas, estimando-se “que possa atingir entre 5 e 15% das mulheres em idade reprodutiva, sendo a idade mais prevalente de diagnóstico entre os 25 e os 35 anos”.
Lília Remesso acrescenta que o tratamento médico melhora e evita a progressão da doença em 40% a 60% dos casos, sendo, muitas vezes, suficiente porque “a doente passa a não ter dor, passa a não ter progressão da doença e tem uma boa qualidade de vida”. Nesse sentido, a medicação tem um papel fundamental.
Os progestativos e a contraceção são algumas das opções de tratamento, mas, conforme refere Lília Remesso existem outros medicamentos que são muito mais caros, se elas não forem eficazes. “Essa comparticipação vai alargar muito mais o nosso espectro, não é que nós não prescrevamos a medicação, se ela for necessária e os doentes compram, mas é muito mais difícil para algumas mulheres”, adiantou, lembrando que, devido às dores, muitas mulheres não conseguem comparecer ao trabalho: “Isso é muito importante porque vai permitir que nós tenhamos muito mais acesso a determinada medicação e os doentes possam fazê-la sem terem esse constrangimento monetário.”



